Johan Henryque
Nas mãos marcadas de tinta, guardei a chave de outro mundo
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Quem É Você, Alasca?
 
O primeiro amigo
 A primeira garota,
As últimas palavras.
 
   Eu ainda procuro palavras para expressar o que sinto, o que me levou a ler esse livro, as lições que tiro dele hoje e a satisfação de ler essa obra que em pouco decepcionou.
   Miles o “Gordo”, Chip o “Coronel”, Takumi, Alasca, Jake (um personagem que eu descartaria), Águia e Lara são os protagonistas de toda uma aventura adolescente.
   Eu poderia fazer uma resenha sobre o livro, mas creio que quem esteja interessado nisso vá procurar em sites mais especializados em tal tarefa. Quero apenas expressar o que o livro me mostrou, me fez sentir.
   O Grande Talvez que Miles tanto procura parece apenas mais um objetivo pessoal, talvez fosse algo que ele pudesse ter conseguido antes de perder quem amava, mas isso também pode tê-lo ajudado a conseguir em fim encontrar. Seu fascínio por últimas palavras também faz com que o livro se torne divertido em grandes momentos.
   Alasca era uma garota perfeita, com atitudes erradas, mesmo assim em nenhuma momento do livro você consegue deixar de gostar da personagem, o que me faz pensar sobre isso, o que nós vemos por certo e errado.
   Dr. Hyde é outro personagem interessante, fazendo com que Miles reflita sobre grandes coisas, usando três grandes religiões para isso, mas alguns evangélicos podem não gostar do livro nesse aspecto.
   Takumi é alguém importante, porém em grande parte do tempo inutilizado e que só volta a ser considerado um grande personagem no fim, quando não restam mais grandes expectativas.
   Miles de certa forma me lembra um pouco, sua timidez e pensamentos são bastante interessantes, talvez pudesse ter sido melhor trabalhado, mas foi cativante e por mais teimoso que tenha sido em alguns momentos me deixou satisfeito.
   É estranho, considerar o terceiro protagonista o mais importante, mas de certa forma estou correto. Alasca aflorou o lado romance, amor, amizade e perversão de Miles, enquanto Chip, o Coronel, tornou a lhe mostrar que verdadeiros amigos podem superar qualquer dificuldade, alguns momentos em que ele faz com que Miles pense sobre o que sente, por Alasca ou por sua falta, ambos agora tem de seguir em frente.
   Queria dedicar um parágrafo a Culver Creek, a seus dormitórios e salas, ao ginásio que sempre tinha motivos para rir enquanto Coronel estivesse por lá, ao meu desejo de visitar o Buraco do Fumo, não pra fumar é claro, mas para ter o prazer de estar perto de Miles, Alasca, Takumi e Coronel.

Como Sair Do Labirinto, Segundo Miles:

   Antes de vir para cá, pensei por um bom tempo que para sair do labirinto fosse necessário fingir que ele não existia, construir um mundo pequeno, porém autossuficiente num rincão longínquo desse infinito labirinto e fingir que eu não estava perdido, mas em casa. Só que isso tinha me conduzido a uma vida solitária, tendo por companhia unicamente as últimas palavras dos já mortos.
   Então vim para cá em busca de um Grande Talvez, de amigos verdadeiros e de uma vida maior do que a minha vidinha. Mas estraguei tudo, o Coronel estragou tudo, Takumi estragou tudo, e ela escorreu por entre nossos dedos. E não adianta embelezar a verdade: Ela merecia amigos melhores.
   Depois que estragou tudo, tantos anos atrás, apenas uma garotinha imobilizada pelo terror, Alasca desmoronou em seu próprio enigma. Eu
poderia ter tomado o mesmo rumo, mas sabia onde aquilo ia dar. Então continuo acreditando num Grande Talvez e sou capaz de acreditar nele apesar
de tê-la perdido.
   Pois, sim, vou esquecê-la. Aquilo que é construído desmorona imperceptivelmente devagar. Vou esquecê-la, mas ela perdoará meu esquecimento, assim como eu a perdoo por ter se esquecido de mim, do Coronel e de todo mundo, lembrando-se apenas de si mesma e de sua mãe naqueles últimos minutos que passou como pessoa. Hoje sei que ela me perdoa por ter sido burro e medroso, por ter tomado uma atitude burra e medrosa. Sei que ela me perdoa, assim como sua mãe também a perdoa. Eis
por que sei disso:
   Pensei, no começo, que ela fosse apenas um cadáver. Apenas escuridão. Apenas um corpo a ser comido pelos vermes. Pensei muito nela assim, como
a refeição de algum bicho. O Que ela fora - olhos verdes, um meio sorriso, as curvas suaves da perna - em breve seria um nada, apenas ossos que eu não
tinha visto. Pensei no lento processo de tornar-se esqueleto, depois fóssil, depois carvão, e, dali a milhares de anos, ser extraído pelas pessoas do
futuro, que aqueceriam suas casas com ela e a transformariam em fumaça, ondulando numa chaminé, cobrindo a atmosfera. Às vezes, ainda acho que a "outra vida" é algo que inventamos para apaziguar a dor da perda, para tornar
nosso tempo no labirinto suportável. Talvez ela fosse apenas matéria, e a matéria se recicla.
   Mas, para ser sincero, não acredito que ela fosse só matéria. O resto dela também precisa ser reciclado. Hoje, acredito que somos mais do que a soma das nossas partes. Se pegássemos seu código genético, suas experiências de vida, seus relacionamentos com outras pessoas e os enxertássemos num corpo do mesmo tamanho e com as mesmas proporções, ainda assim não teríamos outra Alasca. Existe algo mais. Uma parte que é maior do que a soma das suas partes cognoscíveis. E essa parte tem de ir para algum lugar, pois não pode ser destruída.
   Embora ninguém possa me acusar de ser um grande estudioso das ciências exatas, se tem uma coisa que aprendi nas aulas de Física é que a energia não se cria nem se destrói. E, se Alasca realmente tirou sua própria vida, esse é o tipo de esperança que eu gostaria de lhe ter dado. Esquecer e abandonar a mãe, os amigos, as próprias expectativas - eram coisas horríveis, mas ela não precisava ter se metido em si mesma e se autodestruído. Somos capazes de sobreviver a essas coisas horríveis, pois
somos tão indestrutíveis quanto pensamos ser. Quando os adultos dizem: "Os
adolescentes se acham invencíveis", com aquele sorriso malicioso e idiota estampado na cara, eles não sabem quanto estão certos. Não devemos perder a esperança, pois jamais seremos irremediavelmente feridos.
   Pensamos que somos invencíveis porque realmente somos. Não nascemos, nem morremos. Como toda energia, nós simplesmente mudamos de forma, de
tamanho e de manifestação. Os adultos se esquecem disso quando envelhecem. Ficam com medo de perder e de fracassar. Mas essa parte que
é maior do que a soma das partes não tem começo e não tem fim, e, portanto, não pode falhar.
Eu sei que ela me perdoa, assim como eu a perdoo. As últimas palavras de Thomas Edson foram: "O outro lado é muito bonito." Eu não sei onde fica o
outro lado, mas acredito que seja em algum lugar e espero que seja bonito.
 
 

 
 
Johan Henryque
Enviado por Johan Henryque em 29/12/2014
Alterado em 29/12/2014
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